O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, se desconsiderado o câncer de pele não melanoma. Para cada ano entre 2026 e 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos no Brasil. Na Bahia, a previsão é de 4.480 diagnósticos por ano, 1.340 deles em Salvador.
Por trás desses números existe um dado que muda o desfecho de muitas histórias: quando o câncer de mama é identificado cedo, as chances de tratamento bem-sucedido são muito maiores. E o principal exame para isso, a mamografia, é justamente um dos mais adiados da rotina de cuidado com a saúde.
Neste artigo, você entende o que é o Outubro Rosa, quem tem direito à mamografia pelo SUS, com que frequência fazer o exame e como marcá-lo em Salvador.
O que é o Outubro Rosa e por que ele existe?
O Outubro Rosa é uma campanha internacional de conscientização sobre o câncer de mama, com foco no diagnóstico precoce. O movimento ganhou força nos Estados Unidos na década de 1990, quando o laço cor-de-rosa passou a ser usado como símbolo da causa.
No Brasil, a primeira ação ligada à campanha aconteceu em outubro de 2002, quando o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado de rosa. Em 2010, o INCA aderiu oficialmente ao movimento. Desde então, prédios, monumentos e serviços de saúde de todo o país se vestem de rosa durante o mês.
A cor chama atenção, mas o objetivo é prático: lembrar que o câncer de mama tem mais chance de cura quando é descoberto cedo, e que existe um caminho concreto para isso dentro do sistema público de saúde.
Quem tem direito à mamografia pelo SUS?
Toda mulher a partir dos 40 anos tem direito a fazer a mamografia pelo SUS, mesmo sem sinais ou sintomas. A garantia está na Lei nº 15.284, publicada no Diário Oficial da União em dezembro de 2025, que alterou a lei de 2008 sobre prevenção e detecção do câncer de mama no sistema público.
Antes da mudança, a recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento era voltada a mulheres de 50 a 69 anos. Abaixo dos 50, o exame pelo SUS costumava ficar restrito a casos específicos, como histórico familiar ou alteração já percebida nas mamas.
A ampliação tem base em dados. Segundo o Ministério da Saúde, a faixa de 40 a 49 anos concentra cerca de 23% dos casos de câncer de mama no país. Na outra ponta, o limite do rastreamento organizado passou de 69 para 74 anos, porque o envelhecimento é um dos principais fatores de risco da doença.
Com que frequência fazer a mamografia?
A frequência ideal depende da idade e do histórico de cada mulher, e é definida junto com o médico. A lei de 2025 garante o acesso a partir dos 40 anos, mas deixa a periodicidade para as diretrizes do Ministério da Saúde.
Hoje, a orientação oficial e a das sociedades médicas não são idênticas:
| Idade | Ministério da Saúde (SUS) | FEBRASGO, SBM e CBR |
| 40 a 49 anos | Exame por demanda, decidido com o profissional de saúde | Mamografia anual |
| 50 a 74 anos | Rastreamento a cada dois anos, mesmo sem sintomas | Mamografia anual |
| Acima de 74 anos | Exame por demanda, com orientação profissional | Decisão com o médico |
A FEBRASGO é a federação dos ginecologistas e obstetras, a SBM reúne os mastologistas e o CBR, os radiologistas. As três defendem a mamografia anual dos 40 aos 74 anos.
Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, a idade de início e o intervalo entre os exames devem ser definidos pelo médico, de acordo com o risco individual.
Quais sinais nas mamas merecem atenção?
Segundo o INCA, os principais sinais suspeitos de câncer de mama são:
- nódulo (caroço) na mama, geralmente fixo e indolor;
- pele da mama avermelhada, retraída ou com aspecto de casca de laranja;
- mudança no formato do mamilo;
- saída espontânea de líquido pelo mamilo;
- caroços nas axilas ou no pescoço.
Perceber um desses sinais não significa ter câncer. A maioria dos nódulos na mama é benigna. Ainda assim, qualquer alteração nova deve ser avaliada por um profissional de saúde, sem esperar a próxima consulta de rotina.
Conhecer o próprio corpo ajuda a notar essas mudanças, mas não substitui a mamografia. O exame consegue identificar lesões muito pequenas, que ainda não podem ser sentidas pelo toque. É por isso que ele é indicado mesmo para quem não tem nenhum sintoma.
O cuidado também passa pelo dia a dia. O INCA estima que cerca de 17% dos casos de câncer de mama poderiam ser evitados com hábitos saudáveis, como praticar atividade física, manter o peso adequado e evitar o consumo de álcool.
Como marcar a mamografia em Salvador?
O caminho permanente é a unidade de saúde mais próxima de casa. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou na Unidade de Saúde da Família, um profissional avalia o caso, faz a solicitação do exame e encaminha a marcação. Leve documento com foto, Cartão SUS e, se tiver, os resultados de mamografias anteriores.
Em outubro, a oferta costuma crescer. Em 2026, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) disponibilizou 40 mil mamografias gratuitas em Salvador, realizadas em unidades móveis espalhadas pela cidade ao longo do mês, com agendamento pelo portal ba.gov.br e em pontos presenciais. Como as vagas de mutirão abrem em datas específicas, vale acompanhar os canais oficiais da Sesab e da Prefeitura de Salvador.
Algumas orientações ajudam no dia do exame:
- evite desodorante, talco ou creme nas axilas e nas mamas, porque esses produtos podem interferir na imagem;
- prefira roupa de duas peças, para facilitar a troca;
- se tiver próteses de silicone, avise a equipe antes do exame.
O mais importante é não deixar a marcação para depois. Uma mamografia feita no prazo certo é uma das formas mais eficazes de cuidar da própria saúde.
Um destino que não dá pra adiar
Todos os dias, a Elitte leva mulheres para todos os cantos de Salvador: trabalho, aula, praia, casa da família, aeroporto. Neste Outubro Rosa, o convite é para um destino que muita gente deixa para depois.
Se você tem 40 anos ou mais, converse com um profissional de saúde e marque sua mamografia. Se não é o seu caso, compartilhe este artigo com uma mulher importante na sua vida. Informação no momento certo também é uma forma de cuidado.
Fontes consultadas
- Lei 15.284/25: mamografia a partir dos 40 anos (Medicina S/A, com base na Agência Câmara)
- Nota técnica do Ministério da Saúde sobre rastreamento (INCA)
- Ampliação para 40 a 49 anos e dado de 23% dos casos (Agência Brasil)
- Estimativas INCA para Bahia e Salvador e recomendação FEBRASGO, SBM e CBR (Bahia Econômica)
- Estimativa 2026–2028 do INCA, documento completo
- Sinais suspeitos de câncer de mama (Informe INCA)
- Fatores de risco e 17% de casos evitáveis (BNews, com base no INCA)
- Origem do Outubro Rosa (NSC Total)
- 40 mil mamografias da Sesab em Salvador (Correio)






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